sábado, 18 de março de 2023

Conto : O sapo

 

 

 

Sempre gostei de escrever para o público infantil, mas nunca me aventurei em publicar em forma de livro para o público infantil.Só sei que este desejo está cada vez ''buscando espaço''... na minha vida como escritora!

Pois bem, vou postar um dos inúmeros contos infantis que  foram publicados no Portal Revelar Talentos, mas pelo tempo...precisam de  ''novas roupagens'', mas sua ''gestações'' foram em momentos que ''precisei de colo''. 

Escrever contos é a forma que encontrei de ''vestir os  leitores com a  melhor roupa 'de sentimentos''.


Vamos Lá!


O sapo 


 Numa manhã de Domingo, um menino que se chamava Rubens brincava e corria pela casa. Era um garoto muito travesso e que mesmo com 3 anos de idade adorava subir nas cadeiras da sala, pular das escadas e correr pelo longo corredor da casa da dinda Ângela.

Um certo dia, foi escondido ao quarto de seus pais e ao brincar de pular em cima da cama, caiu e de repente seus olhos encontraram que por acaso uma caixa. Era uma caixa grande com figuras feitas de jornal. Pensou por alguns minutos: O que poderia ter dentro? Roupas? sapatos? O que?

Então, resolveu abrir já que era curioso demais para ir embora.

Com suas mãozinhas tão pequenas tentou abrir. Puxou, empurrou, bateu, e, como por mágica, ali estava diante dos seus olhos um mundo de pequenos objetos: caderno, vaso, álbum de fotos, carretel, bolas, brincos, pulseiras camisa, botões, e um espelho.

Um espelho dourado que de tão grande quase caiu de suas mãos. Ao levantá-lo até o seu rosto, viu-se no reflexo. Admirado, já que se deparou com algo tão inusitado. Seus olhos eram diferentes! Nem grandes, nem pequenos e sim com duas cores. Nunca havia visto algo tão estranho. Como um pode ser azul e o outro verde? Como? Foi neste momento,que seu irmão entrou e ao vê-lo tão triste resolveu pegá-lo no colo e tentar animá-lo.

Assim, o fez dizendo:

- Vou lhe contar uma história de um sapo. Você quer ouvi mano?

- Sapo? Tá...Quero ouvi, sim!

- Era uma vez, um sapo que morava em uma lagoa. Um sapo pequeno, em relação aos outros, mas que se tornava grande porque ele cantava muito alto em noites de lua cheia para a lua majestosa. Em cima de uma vitória-régia cantarolava como se fosse o único da lagoa. Seu barulho, porém, começou a incomodar um beija-flor que morava em cima de uma árvore. Por não aguentar o som indesejado o beija-flor falou rispidamente:

-Pareeeeee!...Não aguento mais isso todos os dias! Não dá sapo! Quero dormir e você me incomoda. Se não me deixar dormir, falo com a velha e sábia coruja que vai jogar um feitiço em você.

 O sapo virou em direção à outra árvore e ignorou o beija-flor. Este irritado, voou até o outro lado da lagoa. Em busca da coruja foi pedir providências. Ao contar toda a sua história a coruja resolveu agir.

De madrugada, quando o sapo já havia cansado de tanto cantarolar, a coruja soprou em cima dele e disse:

- Pronto!

 Aos primeiros raios do sol, o sapo acordou, abriu a boca, esticou a língua fazendo sua primeira refeição do dia e quando pretendeu cantar deparou-se com o seu reflexo nas águas tranquilas do lago e havia algo diferente. Seus olhos estavam coloridos.

- Como foi possível isso?. Pensou e parado continuou a pensar .

No final do dia e no começo da tarde, um arco-íris o surpreendeu. Foi neste segundo que o sorriso voltou ao seu rosto e ele compreendeu que tinha olhos de arco-íris. Já não cantava mais para a lua. O arco-íris era sua nova inspiração. O beija-flor agora dormia á noite inteira. O sapo feliz descobriu que ter ficado diferente não era problema, pois cantar era a forma de agradecer ao arco-íris pelo seu dia assim.

Assim também o pequeno Rubens compreendeu que somos únicos e belos na nossa essência. O  que faz toda a diferença neste Mundo!

Quem quiser que conte um belo conto!

 

Alda de Cássia  

Arte: Vitória de Cássia

Revisão: Márcio Rodrigues